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Desabafos á Fernando Pessoa

Neste blog pretendo demonstrar alguns dos livros mais entusiasmantes que leio, assim como séries e filmes.

Desabafos á Fernando Pessoa

Neste blog pretendo demonstrar alguns dos livros mais entusiasmantes que leio, assim como séries e filmes.

O encantamento de Proust: reflexões sobre o tempo

07.02.21, S.C.Jesus

   

   

     Descobri Proust devido a elaboração da minha dissertação de mestrado. A escritora que estou a analisar tem um estilo de escrita semelhante, tal como Proust serve-se da imagem, de uma rosa por exemplo, para evocar uma memória.

Foi num livro intitulado O tempo das mulheres que pela primeira vez deparei-me com o conceito “tempo perdido”. Depois de alguma pesquisa descobri estar ligado a um enorme livro divido em oito volumes denominado Em busca do tempo perdido. Para a minha investigação bastaria ler o artigo “ Uma leitura sobre o tempo no romance Em busca do tempo perdido: o caminho de Sawnn”, por necessitar apenas do conceito de tempo na ficção. Mas eu necessitava de entender este romance que revolucionou o mundo da literatura.

   Assim que iniciei a leitura fiquei imediatamente encantada. Nunca me tinha apaixonado tão rapidamente por um livro. E eu tenho o privilégio de já ter lido enormes clássicos da literatura universal. No entanto nenhum deles foi capaz de transformar o meu universo como esta obra.

Torna-se difícil fazer uma análise de uma obra tão complexa como esta. Por ter um mundo próprio, ser uma narrativa fora do comum e por misturar o estilo memorialista com a ficção. Proust leva-nos a embarcar numa verdadeira experiencia dos sentidos. Em que cada elemento, como uma simples madalena, ganha um novo significado através das suas palavras.

   Tamanho foi o feitiço causado por este livro que necessitei de ler outro texto do mesmo escritor para sentir as mesmas emoções, para manter-me sob o seu encantamento. “On Reading”, um ensaio sobre a importância dos livros, foi a leitura escolhida. Também a utilizei na minha tese, uma vez que a escritora, Luzia, era uma verdadeira “livresca”.

Para os que desconhecem a origem desta escritora, Luzia era alentejana mas viveu a maior parte da sua vida na Madeira. Nasceu como Luísa Grande, Luzia trata-se do pseudónimo utilizado para publicar seus livros. Conhecido como a “ Eça de saias”, por a ironia e a sátira estar presente em muitos dos seus textos, possuía os géneros de eleição o epistolar e o memorialista.

   A minha dissertação baseia-se no seu diário, que até bem pouco tempo estava perdido e foi recuperado por um centro de estudos. Para a análise do diário necessitei de explorar os conceitos de tempo perdido, tempo sonhado e tempo interssecionado. No tempo perdido abordei a sua trágica infância, Luzia não chegou a conheceu a mãe e o seu pai morreu quando ela tinha nove anos. Quanto o tempo sonhado trata-se do futuro a longo e a curto prazo, os desejos mais profundos da escritora. Por fim, o tempo interssecionado refere-se ao mundo dos livros, Luzia quando lia parecia dialogar com as personagens.

   Luzia fascina-me do mesmo modo de Proust, apesar dos seus estilos de escrita diferenciados. Penso que ler um diário é a forma mais intima de conhecer a mente de outro indivíduo. Talvez seja por isso que esteja sendo tao prazeroso a elaboração desta dissertação.

Pretendo tentar publicar uma análise mais detalhada de Em busca do tempo perdido assim que terminar a leitura dos outros volumes. Se desejarem posso também publicar uma reflexão sobre a minha tese, mas terá de ser quando estiver publicada.

Desejo-vos uma bom semana e umas ótimas leituras!