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Desabafos á Fernando Pessoa

Neste blog pretendo demonstrar alguns dos livros mais entusiasmantes que leio, assim como séries e filmes.

Desabafos á Fernando Pessoa

Neste blog pretendo demonstrar alguns dos livros mais entusiasmantes que leio, assim como séries e filmes.

Quando a ficção espelha a realidade...

25.04.22, S.C.Jesus

    Estou num período de grande acumulação de leituras. Tenho investido muito em ler romances históricos ou livros contemporâneos que abordem temáticas sensíveis. Mas não deixo de intercalar com um livro da fantasia, e por vezes um livro mais cliché para desfazer-me da carga negativa que certos livros transportam.

Tenho notado também que muitos dos livros escolhidos são depressivos. Tenho tendência para gostar de protagonistas com passados traumáticos mas mentes sensíveis. Tal aconteceu com o livro “Cinquenta palavras para chuva”. Levou-me uma semana para conseguir-me desligar de Nori. Muito devido à minha insatisfação com o seu final. E apenas aconteceu por ter mergulhado profundamente na narrativa de “A dança das estrelas”.

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Emma Donoghue já havia me surpreende com “O prodígio”, do qual possui opinião num dos posts de 2019, com a sua enfermeira Libe e a cativante menina Anne. E agora surge com um enredo passado quase exclusivamente numa enfermaria, mas que não nos deixa indiferentes a história de Julia e a sua luta para salvar vidas. Retrata a gripe espanhola, uma pandemia que estima-se ter devastado 3 a 6 por cento da espécie humana. Para além disso também demonstra a realidade das instituições residenciais irlandesas através da personagem Bridie Sweeney, instituições administradas por freiras que deviam servir de abrir para órfãs e mães solteiras. Mas exploravam estas mulheres e eram muitas vezes vítimas de maus tratos.

 

    Apesar de as condições desta enfermaria estar muito distante das dos dias de hoje, uma vez que não tinham em sua disposição a tecnologia que temos e as condições de higiene eram muito precárias, não deixamos de ver as similaridades do ambiente pandémico. A gripe espanhola, tal como a Covid-19, provou incerteza, terror e medo na população. A superlotação e a falta de pessoal é outro elemento que interliga ambas as pandemias. E como não se identificar com o desespero de Julia perante à perda das suas pacientes, e a sua felicidade ao conseguir trazer vidas ao mundo.

 

“ A dança das estrelas” é um livro passado no tempo da Primeira Grande Guerra mas não deixa de ser um livro sobre esperança. Um livro que homenageia médicos e enfermeiros que tanto abdicam para salvar a vida de outros.

 

   Neste momento estou entusiasmada com a leitura do “Circo das maravilhas”, outro romance histórico contudo este se passa na época vitoriana. O seu enredo lembra um pouco o musical “The greatest showmen” e o livro “O circo dos sonhos”.

Desejo-vos um bom feriado e tentarei regressar em breve!